Frida Vingren: uma mulher de espírito ardente e zeloso


Neste Dia Internacional da Mulher, enquanto mostrava aos meus alunos as muitas injustiças sofridas por muitas mulheres ao longo da história, lembrei-me de um fato que vivi aos 8 anos de idade.

Eu estava conversando com outras crianças e contava-lhes meus numerosos planos para o futuro. Prontamente, um dos meninos me disse: "Você não pode fazer isso, porque é uma mulherzinha!".

Aquelas palavras me desanimaram durante uma semana. Sim! Apenas alguns dias, porque naquela mesma semana, eu conheci uma história que me impactou e mudou o rumo da minha trajetória. Conheci a biografia de Frida Maria Strandberg Vingren, uma das principais pioneiras das Assembleias de Deus no Brasil.

Frida não foi apenas a esposa do missionário Gunnar Vingren ou uma simples personagem secundária da história do movimento pentecostal no Brasil. Não! Ela foi uma mulher cristã à frente do seu tempo, que driblou o preconceito para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.

Esposa dedicada e mãe de seis filhos foi uma mulher talentosa que executava as suas muitas funções com amor e dedicação. Foi enfermeira, escritora, cantora, compositora, poetisa, pianista, redatora, tradutora, evangelista, pregadora, missionária... Foi um instrumento usado poderosamente por Deus... Foi uma líder que, ao lado do seu esposo, apascentou o rebanho do Senhor nesta nação com temor.

No início do século XX, Frida enfrentou forte oposição daqueles que não concordavam com o ministério feminino nas igrejas. Frida, de alguma forma, incomodava os legalistas, logo seu espaço no trabalhos da igreja foi delimitado por homens que não compreenderam a profundidade do seu chamado e não reconhecerem seus esforços para anunciar o Evangelho neste país.

Mais de um século se passaram e eu pergunto se Frida teria na igreja atual a liberdade para exercer aquilo que ardia no seu coração: cumprir o IDE de Jesus.

Meu desejo é que Deus levante e capacite, nestes dias, mulheres como Frida Vingren, que não priorizem as futilidades deste mundo e que não cuidem apenas da sua aparência, mas que se adornem com os dons espirituais e que vivam o Cristianismo intensamente. Desejo também que a Igreja esteja preparada para apoiar e reconhecer o ministério de tais mulheres de espírito ardente e zeloso.